No ano 2000, Marcelo Teixeira assumiu a presidência do SANTOS com a ousada política de contratar jogadores 'de nome', ou os famosos medalhões. Para um time que vinha de uma fase ruim, parecia interessante, não fossem os valores irreais gastos pelo dirigente nas vindas do colombiano e de atletas como Márcio Santos, Valdir Bigode, Valdo, Carlos Germano, o zagueiro Galván, o volante Anderson, entre outros.
O resultado da política equivocada foi um gasto absurdo de cerca de R$ 20 milhões, que teriam sido emprestados pelo próprio Teixeira ao Clube - o valor real só ele sabe - e o desmanche de um time que encantou o Brasil, dois anos depois (para pagar os descalabros administrativos do início da gestão). O surgimento deste time, aliás, tem em Paulo Mayeda um dos grandes responsáveis.
Mayeda era diretor de futebol amador indicado pelo próprio Marcelo Teixeira, em 2000. E foi o responsável direto pela vinda de vários dos atletas que formaram a segunda geração dos Meninos da Vila.
Voltando a participar da política do Clube este ano, a convite do grupo SANTOS ETERNO, Mayeda concedeu entrevista exclusiva para contar os detalhes de sua passagem pelo SANTOS.
SantistaRoxo: Por que o senhor decidiu entrar no grupo SANTOS ETERNO e integrar a chapa para estas eleições?
Paulo Mayeda: Decidi em razão de lamentar o caminho traçado administrativamente diante de todo trabalho que ajudamos a executar, voltando o Clube a reunir problemas financeiros, em que pese o montante arrecadado. O Departamento Amador demonstrou ser a solução, com títulos e dinheiro, todavia o Clube voltou a gastar de forma desenfreada em contratações (basta olhar no site www.cbfnews.com.br o elevado número de atletas).
O senhor foi diretor de futebol amador no início da gestão Teixeira. Foi o responsável direto pela vinda de alguns jogadores que fizeram sucesso no Clube e, além disso, trouxeram muito lucro para o Santos. Como foi a sua experiência nessa época e quais jogadores vieram para o SANTOS sob o seu intermédio?
Paulo Mayeda: Elano e Alex e tantos outros que deram certo e outros que não deram. Quanto ao Elano tem uma história interessante. O Presidente do Guarani, na época, me pediu a devolução do atleta, alegando haver um acordo no Clube dos 13 que não permitia jogador em litígio ser transacionado.
Prontamente neguei o retorno e disse que falasse ao meu Presidente, pois eu não teria esta autonomia. Após algumas horas, o Presidente Marcelo Teixeira me determinou a devolução do atleta, citando o acordo, e eu disse que NÃO O FARIA e que ele tinha a hierarquia máxima para fazê-lo.
Terminou por não tomar nenhuma posição. E o jogador, que foi comprado por R$ 120 mil, foi vendido por US$ 10 milhões. Será que valeu a pena a minha contrariedade à devolução?
Quanto aos jogadores que trouxe, gostaria de esclarecer que é importante ressaltar o desenvolvimento do trabalho diferenciado aplicado na época, que acabou fazendo os jogadores acontecerem. Levar jogador é fácil, o difícil é fazer o atleta, pois inúmeros comparecem aos clubes e acabam não vencendo na vida futebolística, por falta de competência dos que têm a responsabilidade na formação.
Passamos a fazer contratos com jogadores de 16 anos, e fui questionado pela presidência, discordando deste procedimento, o que resultou numa reunião na Universidade (Santa Cecília), num sábado, tendo vindo o Dr. Heraldo Panhoca (advogado conceituado e participante da Lei Pelé), que, na ocasião, me parabenizou pelo visão e que estávamos à frente dos clubes, cumprindo com a Lei Pelé.
Destaco também a antecipação dos jogadores com qualidade, não sendo necessário observar idade. E total retaguarda à equipe multidisciplinar - médico, massagista, fisiologista, preparador físico, nutricionista, psicóloga -, para que solicitassem o que fosse necessário para atingirmos a formação do atleta. Procurei atendê-los e fico grato a estes profissionais que iniciaram a verdadeira formação do atleta. Considero o departamento mais importante no futebol.
Veja a conseqüência do nosso trabalho na época: só Diego, Elano, Alex e Robinho renderam ao clube um valor em torno de R$ 140 milhões. Tivemos aumento de patrocinadores, aumento de cotas de TV, aumento de associados, aumento de torcedores, dois títulos brasileiros (2002/2004), um título paulista (2005) com os garotos, reforma do CT Rei Pelé, inclusive com aumento do patrimônio, construção do CT Meninos da Vila, a possibilidade de contratações de altíssimo nível, como Luxemburgo e Zé Roberto e a volta à mídia nacional e internacional.
Observe os atletas trabalhados que aconteceram no cenário do futebol. Logicamente, em razão da minha equipe haver conseguido idealizar um trabalho diferenciado, e ter dado seqüência em razão da estrutura encontrada, deixada pela diretoria anterior, com CT e a parte administrativa dos funcionários muito eficientes. Cada gestão e cada dirigente têm que fazer um pouco, e assim vamos crescendo.
1) Rafael (goleiro) na Europa
2) Ceará (ala direita) na Europa
3) Pereira (zagueiro) esteve na Europa
4) André Luiz (zagueiro) esteve na Europa
5) Paulo Almeida (volante) esteve na Europa
6) Wellington (Meia) esteve no Oriente
7) Deivid (atacante) na Europa
8) Weldon (atacante) na Europa
9) Elano (meia) na Europa
10) Diego (meia) na Europa
11) Robinho (atacante) na Europa
12) Alex (zagueiro) na Europa
13) André Dias (atacante) no Oriente
14) Preto (zagueiro) clubes no Brasil
15) Canindé (meia) clubes no Brasil
16) Douglas (atacante) na Europa
17) Ailton (meia) esteve no Oriente
18) William (atacante) esteve na Europa e Coréia
19) Andrade (volante) esteve na Europa
20) Luisinho (atacante) no Oriente
21) Halison (zagueiro) clubes no Brasil
22) Leonardo (zagueiro) esteve na Europa
23) Fabio Cecil (volante) na Europa
24) Rodrigo (goleiro) clubes no Brasil
25) Domingos (zagueiro) hoje no profissional do Santos FC
Citamos hoje, surgindo, Dionisio, Felipe (goleiro), Tiago Carletto, que começaram em 2000 ainda nas categorias de base.
Todo este exemplo, demonstra que o correto é formar, vencer e vender. Por que mudar o remédio que deu certo? Por que voltar a comprar? ou contratar jogadores que nada geram aos cofres do clube? Que jogador contratado pelo Departamento Profissional gerou rendimentos?
Como se deu a sua saída da administração Marcelo Teixeira?
Paulo Mayeda: Minha saída se deu após sentir a falta de retaguarda da presidência, quando vinha sendo questionado sobre o meu trabalho e não me sentia confortável na continuidade, mas o tempo mostrou que eu tinha razão. Terminei a gestão a pedido do Dr. Luiz de Souza Junior, a quem eu peço em memória pela citação, mas que na época era meu diretor de futebol profissional e o responsável pela retaguarda no meu trabalho, a quem jamais esquecerei, pois sua capacidade e lealdade ficaram registradas na minha passagem pelo Santos Futebol Clube. Sem o Dr. Luiz de Souza Junior, nada teria acontecido. "Obrigado, amigo!"
Qual foi o aprendizado desta época?
Paulo Mayeda: Que as pessoas deveriam ser menos vaidosas, e que buscassem sempre o objetivo do Clube e não ficassem articulando situações para seu próprio benefício. O Santos Futebol Clube está acima de tudo isto. Claro que existem exceções, mas fiquei muito agradecido ao quadro de funcionários, que deu tudo que esperei, juntamente com minha equipe de diretores: Dr. Cassio Richter (Dentista), Dr. Luiz Capela (Advogado, hoje Diretor Profissional), Dr. Ricardo Viva (Advogado), Capitão Dutra (PM) e Dr. Paulo Roberto Teixeira dos Santos (Juiz de Direito). Os anos passaram e o "tempo é o senhor da razão", e hoje tive este difícil trabalho reconhecido. Me deixa orgulhoso pelo fato de ter "colocado um tijolo nesta construção chamada Santos Futebol Clube", sobre outros "tijolos colocados pelos anteriores dirigentes", pois sem estes "tijolos anteriores", jamais conseguiria cumprir minha obrigação e a minha parte, onde pude presenciar a alegria contagiante dos santistas.